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Dom Mauro

Queridos Irmãos e Irmãs

Quantas vezes ouvimos esta pergunta: como é que se pode conhecer a vontade de Deus e como é que Deus fala aos homens de hoje? Deus fala aos homens de hoje, do mesmo modo e com as mesma intensidade como falou no passado. A Carta aos Hebreus (1,1-2) diz: "Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual fez os séculos". O homem precisa estar atento para ouvir a voz de Deus. Perceber a voz de Deus nos acontecimentos. Perceber os sinais dos tempos é ouvir a Deus. O sinal é uma realidade visível que indica uma realidade invisível. O sinal tem um significado que precisa ser descoberto. Poderíamos dizer que, em nível interno da Igreja, Deus está falando por meio de tantas bocas, por meio de tantos sofrimentos, que é necessário que a Igreja faça uma revisão no seu modo de ser hoje. As pastorais e movimentos eclesiais devem trabalhar, questionar, engajar-se na luta de cada dia pelos direitos de todos, pela construção da nova sociedade. Devem ser evangelizadores. Evangelizar pela palavra e pelo testemunho de vida. Se faltar o amor a Deus, a adesão a Jesus Cristo, se faltar a vida do Espírito, todas as atividades perderão sua dimensão de fé. O desânimo poderá abater-se nos seus membros, bem como, poderão escorregarem em focos de interesses imediatos, pessoais ou de grupos, tais como, vaidades, auto suficiência, exibicionismo, ou fazer a ação pela ação. Qualquer prática cristã, qualquer plano de trabalho apostólico que não tenha como fundamento a caridade, o amor de Jesus Cristo, não é obra de Jesus Cristo. É comum um líder cristão sofrer incompreensão por trabalhar com os pobres ou defendê-los; pode sofrer perseguição política sejam de alas conservadoras ou progressistas, esquerdistas ou direitistas que ainda demonstram resquícios nos dias atuais, causando divisões nas pastorais e movimentos eclesiais. Acham tais pessoas que os aspectos políticos, econômicos e sociais da vida de cada dia não podem ser envolvidos com a religião. Acham que fé e compromisso social político se excluem. E por causa de tais perseguições, ameaças e desafios, quantos líderes e quantas comunidades desanimam, amedrontam-se, inibem-se! São líderes e comunidades de valor, mas suscetíveis, imaturos. Por causa de uma ameaça, de uma contradição, de um perigo, abandonam tudo. Por causa de um "diz que diz" ou por uma calúnia, por ciúmes ...desintegram-se! A covardia, o medo, o desânimo, a suscetibilidade paralisam, sem dúvida, as pastorais e movimentos eclesiais. Ora, isso não poderia jamais acontecer; se as pastorais e movimentos eclesiais existem, eles existem por causa e em nome do Ressuscitado e acreditam que ele é Vida e está presente no meio deles. Se as pastorais e movimentos eclesiais tem medo, por exemplo, das contradições internas, das contestações externas, como poderão enfrentar um mundo desafiador e testemunhar de fato Jesus Cristo dentro de realidades tão hostis? Como poderão ser pastorais e movimentos eclesiais fermentando de Evangelho os ambientes? Não podem ter apenas o nome de cristãos, rezarem muito, crescerem espiritualmente, se não forem capazes de transmitir vida, entusiasmo àqueles que estão ao seu redor.

Dom Mauro